A importância e o interesse pelo sangramento uterino anormal (SUA), vem aumentando significativamente em decorrência de sua freqüência e, também, de sua etiologia. O pólipo endometrial contribui sobremaneira com a etiopatogenia dessa entidade clínica, principalmente na menopausa. Julgamos pertinentes informações atualizadas sobre a clínica, classificação, gênese, diagnóstico, influência da terapia de reposição hormonal, potencialidade pré-maligna e tratamento dos pólipos endometriais. O termo pólipo destina-se a denominar tumores fixos por uma haste ou pedículo. Os pólipos uterinos mais representativos são os endometriais, seguidos dos cervicais. Os pólipos endometriais originam-se comumente de hiperplasias focais da camada basal. Há crescimento excessivo do tecido epitelial contendo glândulas, estroma e vasos sangüíneos em quantidades variáveis. São de pequeno ou grande volume, únicos ou múltiplos. Podem inclusive preencher toda cavidade uterina, ou formar pedículos longos que os projetam além do canal cervical. Ocorrem em extensa faixa etária sendo, porém, mais comuns entre mulheres da quarta e quinta décadas de vida. Raros antes da menarca e pouco freqüente após 60 anos. A incidência varia muito pouco, encontrando-se aproximadamente um quarto das mulheres com queixa de metrorragia. Em pacientes com sangramento uterino anormal em uso de terapia hormonal (40%) e com sangramento na pós- menopausa (30%), encontramos pólipos uterinos. Apresentam-se com maior freqüência em multíparas, com paridade igual ou superior a quatro. O sintoma mais comum é a perda sangüínea uterina, destacando-se em ordem de ocorrência a metrorragia (sangramento menstrual excessivo), a menorragia (dor na menstruação) e o sangramento em mulheres menopausadas. Às vezes são assintomáticos. Em algumas pacientes, podem ser causa de infertilidade.
O número de pólipos endometriais e sua morfologia variam. Habitualmente, são pequenos e únicos, sésseis ou pedinculados. Descrevem-se seis tipos morfológicos: Pólipos Hiperplásicos – são os mais comuns, variando de alguns milímetros até atingir grandes dimensões. Às vezes, são diagnosticados somente na avaliação microscópica. Pólipos Atróficos – também chamados de pólipos inativos, são comuns em mulheres na pós-menopausa. Pólipos Funcionais – sensíveis a hormônios, mostram alterações proliferativas ou secretórias. Ocorrem na pré-menopausa e podem ser de difícil diagnóstico. Pólipos Endometriais–Endocervicais (Mistos) – alguns pólipos localizados na porção superior do canal cervical ou no segmento uterino inferior mostram desenvolvimento glandular com estroma semelhante ao encontrado neste último. Pólipos Adenomiomatosos – possuem fibras e feixes irregulares de musculatura lisa no estroma próximos aos vasos de paredes grossas. As glândulas são revestidas pelo estroma. Adenomioma Polipóide Atípico – é um pólipo incomum, diferente dos demais. Ocorre na pré ou perimenopausa em mulheres com média de idade de 40 anos.
Potencialidade Pré- Maligna – Em úteros com diagnóstico de carcinoma endometrial foram encontrados pólipos em 12% a 34% dos casos. A ocorrência de carcinoma em pólipos benígnos é de aproximadamente 0.5%. A malignização dos pólipos para carcinoma endometrial ocorre em aproximadamente 3,5% dos casos. Pólipos endometriais em mulheres pré-menopausadas apresentam pouco ou nenhum potencial maligno.
Pólipos x Terapia de Reposição Hormonal (TRH) – Atualmente, considerável número de mulheres são submetidas à terapia de reposição hormonal (TRH). A presença de pólipos endometriais parece aumentar o risco de desordens menstruais ou de sangramento anormal sob TRH.
O diagnóstico diferencial ,inclui várias doenças como miomas submucosos, hiperplasia uterina difusa, adenofibromas, adenocarcinomas, adenossarcomas, disfunções ovulatórias, insuficiência da fase lútea e condições terapêuticas como, por exemplo, os efeitos dos hormônios exógenos. A hiperplasia uterina difusa é incluída no diagnóstico diferencial do pólipo hiperplásico. Pólipos funcionais devem ser diferenciados de disfunções ovarianas como os defeitos da fase lútea.
Curetagem uterina ou histeroscopia são necessárias para diagnóstico correto. A histeroscopia é a técnica mais indicada para o seu diagnóstico. A abordagem terapêutica dos pólipos endometriais resume-se em procedimentos cirúrgicos, que variam desde biópsia de consultório, à internação hospitalar e anestesia. Devemos considerar sempre a presença de patologias concomitantes, as condições clínicas da paciente, idade e interesse quanto à manutenção de sua fertilidade. A histeroscopia proporciona abordagem cirúrgica direta do pólipo, ao contrário da curetagem uterina. Esta, por sua vez, é insuficiente na remoção de pólipos, porque não consegue retirá-los na totalidade. Em mulheres jovens com hiperplasia atípica ou carcinoma limitado ao pólipo, com adjacências e cavidade endometrial livres, a polipectomia provavelmente é curativa. Em mulheres na peri e pós-menopausa com pólipos revelando hiperplasia atípica e/ou carcinoma, indica-se a histerectomia. A histeroscopia tem se mostrado muito útil na confirmação macroscópica do diagnóstico de pólipo, com a vantagem de permitir a ressecção do mesmo. Não são raras as situações onde a ultrasonografia nos mostra um espessamento endometrial, ou seja, eco endometrial > 5 mm, sugestivo de hiperplasia . Entretanto, na realidade , o que se constata pela histeroscopia diagnóstica é a presença de pólipo atapetando toda a parede posterior uterina. As vezes, estruturas vusualizadas macroscopicamente como pólipos, não tiveram seu diagnóstico confirmado histologicamente. Mesmo assim não temos dúvidas de que, na atualidade, a histeroscopia ( diagnóstica e cirúrgica), é o melhor e mais adequado procedimento para o diagnóstico e a terapêutica de pólipos endometriais.


Pólipos Endometriais

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