Consiste em tumor de célula muscular lisa do útero, com potencial de malignidade muito baixo. É o principal motivo de cirurgia ginecológica na mulher. Cerca de 20% das mulheres, ao redor dos 40 anos de idade, apresentam miomas uterinos, no entanto, há relatos de até 40% a 50% em mulheres assintomáticas.
Patogênese – A etiologia do mioma uterino não está completamente elucidada. São tumores benignos estrogênio-dependentes que incidem mais nas mulheres negras. A multiplicação celular do tumor leva à compressão das células da periferia formando uma “pseudo-cápsula”. Normalmente, os vasos sanguíneos não atravessam essa cápsula, assim, com o crescimento tumoral, vai ocorrendo hipoxia no centro levando às degenerações. A mais comum é a hialina, podendo também ser cística, calcificada, gordurosa, vermelha e carnosa. A transformação sarcomatosa ocorre em 0,1% a 0,7%, não se sabendo se os miomas degeneram para sarcoma ou se o sarcoma surge no útero miomatoso sem se originar de um mioma propriamente dito. Os miomas podem ser classificados quanto a sua topografia em submucoso, intramural e subseroso.
Quadro clínico – Na maioria das vezes, as portadoras de miomas são assintomáticas. Menorragia, particularmente ciclos hipermenorrágicos, ocorre com frequência na miomatose uterina, principalmente se os miomas são intramurais. Os miomas submucosos, por sua vez, são mais associados à metrorragia. Os subserosos, geralmente, não causam sangramentos. Quando o sangramento é importante, pode haver desenvolvimento de anemia e suas consequências, como tonturas, sensação de fraqueza, dispnéia, insuficiência cardíaca congestiva entre outros. Dismenorréia (dor na menstruação) pode ocorrer. Dor pélvica não é habitual, exceto de forma aguda quando ocorre degeneração vermelha decorrente de necrose tumoral. Queixa de desconforto e de aumento de volume abdominal pode estar presente. Se os miomas levarem à obstrução tubária, podem ocasionar esterelidade. Os intramurais que não causam obstrução tubária e os subserosos, apesar de não causarem esterelidade, podem apresentar crescimento e trazer complicaçães durante a gestação. Ao exame físico e ginecológico, o útero pode se apresentar de tamanho aumentando, eventualmente bocelado, sendo que os tumores podem estar palpáveis.
Diagnóstico – Além do quadro clínico e do volume uterino aumentado à palpação a ultrasonográfica tem importante papel no diagnostico dessa afecção. A histerossalpingografia pode ser útil nos casos de esterilidade para se conhecer se há obstrução tubábia por compressão extrínseca e se há alteração da cavidade endometrial. Tem ganho espaço no diagnóstico de miomas submucosos, a histerossonografia, ou seja, a ultra-sonografia realizada após a injeção de solução fisiológica na cavidade uterina para melhorar o seu estudo. Nos casos de suspeita de mioma submucoso, pode se lançar mão da histeroscopia, inclusive para diagnóstico diferencial com pólipos endometriais. Outros métodos de imagem normalmente não são necessários, mas podem ser utilizados em casos especiais, por exemplo, a urografia excretora quando os miomas são muito grandes e podem estar comprimindo os ureteres. Outros, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, são bem menos utilizados.
Tratamento – O tratamento dos miomas uterinos varia grandemente, desde, apenas, observações até tratamentos tão radicais quanto a histerectomia total. Para a escolha do tratamento, deve-se levar em conta a presença e a severidade dos sintomas, o tamanho dos tumores, o desejo reprodutivo futuro, o grau de interferência com a fertilidade, a velocidade de crescimento dos miomas dentre outros. Mulheres assintomáticas com miomas pequenos podem ser apenas observadas. Quando apresentam grandes sangramentos, levando à anemia, o tratamento cirúrgico provavelmente será necessário. Nessa situação, pode-se realizar a miomectomia, quanto há desejo de manutenção da função reprodutiva, ou da histerectomia, quando do contrário. Quando os miomas são muito grandes, ou quando há anemia, pode-se utilizar o tratamento pré-operatório com os análogos do GnRH, tais como a goserelina, o leuprolide, a buserelina, a nafarelina, etc., que promovem uma “menopausa farmacológica” com hipoestrogenismo, amenorréia e diminuição dos tumores. Esse tratamento propicia uma recuperação dos níveis de hemoglobina permitindo a cirurgia com maior segurança, além de facilitar a tática cirúrgica e levar à menor perda sangüinea durante a operação. Normalmente, é utilizado para esse fim por 3 a 6 meses, e sempre como medida pré-operatória, pois após a suspensão, os miomas voltam a crescer e, em curto intervalo, estão com dimensões anteriores ao pré-tratamento. Pacientes com poucos sintomas, como pequeno aumento menstrual, que não desejem gestações podem ser tratadas com anticoncepcionais hormonais combinados orais de baixa dose, que geralmente apresentam um predomínio do componente progestacional. Outra opção é o tratamento com progestogênios isolados, tais como a noretisterona, o acetato de nomegestrol, o levonorgestrel etc. Esses tratamentos são apenas sintomáticos e faz-se necessário um acompanhamento rigoroso com exame ginecológico e ultra-sonografia rotineiros. Os miomas submucosos podem ser tratados por ressecção cirúrgica por histeroscopia. Quando há crescimento rápido dos miomas, o tratamento cirúrgico deve ser escolhido, para se afastar a possibilidade de sarcoma.


mioma uterino - visão laparoscópica

Av. Pres. Affonso Camargo, 1399 / sala 709 - Cristo Rei - Tel. 41.30877725
Av. República Argentina, 4826 - Portão - Tel. 41.30217654
Curitiba - Paraná - Brasil - Email: hugojq@terra.com.br